quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Revolução dos Bichos



Meu Pai tinha um livro pequeno e empoeirado que comprou em Porto Alegre em meados da década de 70. Adquirido numa livraria humilde, o livro era intitulado “A revolução dos bichos”, mas para adquirir esse livro de George Orwell teria que conversar com o vendedor e se ele se sentisse à vontade e seguro, aí sim, ele mostraria o livro que não se encontrava nas prateleiras expostas da livraria. Sim, esse livro era proibido de ser vendido durante o período ditatorial. Até o dia em que o encontrei numa caixa de mudança esquecida; peguei-o e comecei a lê-lo, para minha surpresa, impossível de largá-lo. Digo que era do meu pai porque agora me apossei do livro.

A Revolução dos Bichos é conhecido como uma crítica violenta e corajosa ao totalitarismo, muito inteligente por sinal. O autor usou da criatividade e uma boa imaginação para tocar em assuntos sérios ambientando de forma dócil a fábula que se passa em uma fazenda. Assim, consegue denunciar o processo de formação de um regime autoritário, que nas entrelinhas, é uma crítica ao Stalinismo.

A história:
Numa fazendo chamada Granja do Solar situada no interior da Inglaterra, Jones o proprietário é surpreendido por uma revolução dos animais insatisfeitos com a dominação dos seres humanos. Essa revolução o tira de sua propriedade, e a partir dali os animais se organizam para se auto-sustentar e sustentar a granja do jeito deles. A granja é rebatizada de Granja dos bichos; e novas normas foram criadas entre eles, mas tudo parece mudar com os traiçoeiros porcos se impondo e manipulando a granja.
O escritor faz críticas ao totalitarismo, repreensões, o modo ditatorial de governos, a desigualdade legislativa, a manipulação propagantória em cima do “povo” (aqui retratado pelos animais) e a idolatria de objetos luxuosos do capitalismo.
 Com várias passagens inteligentes no livro não é de se estranhar que esse é sem dúvida um marco da literatura contemporânea.
Garganta, que é um porco que tem o dom da fala coerente e direta, rapidamente se torna o “assessor de imprensa particular” dos outros porcos, levando estatísticas e grandes feitos do major porco, contados de forma tendenciosa aos outros animais que representam o povo. A partir daí se subdivide duas classes; Os partidários do governo e a plebe.
Podemos representar cada personagem à um ícone da história Russa.
Os Hábitos Humanos: simbolizam o capitalismo, e tudo aquilo que os animais deveriam se distanciar e nunca se envolver.
Senhor Jones: pode ser retratado pelo Nicolau II, (o Czar que reinou de forma desastrosa um país de miseráveis e que por isso foi deposto à força pelos bolcheviques), o cruel e irresponsável como ficou conhecido posteriormente. Na história de Nicolau, a tragédia foi tanta que seu desastroso reinado levou a sua família real a pagar o preço. Todos foram assassinados, e dali criou-se a lenda de Anastasia.
Velho Major: O porco mais idoso da Granja do Solar, o que detém a sabedoria de vida e a visão ideológica que mais tarde inspiraria a revolução que os animais decidem seguir. É representado pelo pensador sociólogo, Karl Marx.
Bola de Neve: O porco orador. Vem dele a idéia de defender a Granja do Solar com táticas especiais de combate de sucesso. É a imagem de Trotsky.
Napoleão: O porco autoritário, líder manipulador e corrupto. Representa a imagem de Stalin.
Garganta: O porco que já foi mencionado antes por mim. Ele representa a propaganda política enganatória. A mentira do partido.
Sansão: O cavalo incansável. Representa o povo trabalhador, mais precisamente o proletariado. (Vale destacar que essa relação dos porcos com Sansão pode ser trazido para a realidade brasileira, onde o povo do setor privado trabalha para pagar os altos gastos do setor público, numa divisão de aposentadoria distintas, onde os políticos trabalham menos e ganham mais e o povo trabalha mais e ganha menos.)
Fazenda Granja do Solar: Simboliza a Rússia.
Os Cães: Simbolizam a polícia privativa do governo comunista. No romance, a polícia dos porcos.
Moisés: Simboliza o poder religioso, e a demonstração da inutilidade do corvo que só faz pregar palavras sobre um paraíso que todos irão, mas só depois de morrer, dando-lhes esperança para mover a máquina do governo que no fundo, não significam nada.
O Moinho de Vento: Representa as indústrias da Rússia.
Resumindo…
Os porcos representam os soviéticos do partido comunista e o resto só se ferra.
Há também o filme, A Revolução dos Bichos, mas infelizmente o final foi modificado.
A Rússia, é um país lindíssimo, uma história grandiosa, com um povo sofrido e batalhador.
Realmente vale muito a pena ler esse livro, e é um livro curto e pequeno de uma leitura que flui fácil.


Livro que meu pai comprou em 1975.












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A Revolução dos Bichos e Pink Floyd.

Pink Floyd é de longe minha banda favorita. Descobri com 10 anos de idade o LP Dark Side of The Moon e Meddle. Mas, falarei agora da ligação do disco Animals de 1977, que é diretamente influenciado pela obra de George Orwell.
Esse disco foi construído de uma forma peculiar. Se trata de mais um disco conceitual do Pink Floyd. Contém 5 faixas, sendo 3 delas (as principais), Dogs 17:08, Pigs 11:28 e Sheep de 10:20 minutos. Dogs se refere os homens de negócios, megalomaníacos que acabam por serem arrastados pela própria pedra que atiraram. É a canção que mais gosto do disco com um dos melhores solos de Gilmour. A levada da música é sensacional e a letra forte. Pigs, se refere aos políticos corruptos e moralistas. E Sheep (ovelhas), representa aqueles que sem pensamento próprio, cegamente seguem um líder.
Essas três músicas representam juntas os três tipos de seres humanos.

Tirado da Wikipedia: Enquanto o romance concentra-se no comunismo, o álbum é uma crítica direta ao capitalismo e, embora ambos defendam os ideais do socialismo democrático, o álbum difere em que a ovelha se rebela e domina os seus opressores.

Para terminar. As outras duas músicas que faltam. Pigs on The Wing parte 1, que abre o disco e a parte 2 que fecha de forma esperançosa, são praticamente canções de amor. A mensagem destas duas músicas é de que enquanto duas pessoas se amarem, podem proteger-se dos males do mundo referidos nas três músicas do meio.
Outro marco desse disco e o diferencial do Pink Floyd, foi a forma que o disco tomou dimensões por onde passou. Para começar, um grande porco inflável foi erguido na Usina Termelétrica Battersea. A vista do edifício foi escolhida para a imagem da capa, e a banda contratou a empresa alemã Ballon Fabrik (que já havia construído dirigíveis Zeppelin) para construir um balão suíno de 9,1 m (conhecido como Algie). O balão foi cheio com hélio e colocado frente ao edifício em 2 de dezembro, com um atirador treinado pronto para disparar, se ele escapasse. Infelizmente, o mau tempo atrasou a sessão de fotos e o empresário da banda, Steve O'Rourke não tinha planos de contratar o atirador por mais dias. O balão se soltou das cordas e pousou finalmente em Kent, sendo recuperado por um fazendeiro local, que aparentemente estava furioso porque "havia assustado suas vacas".
Algie, o porco inflável que voou por cima de cidades.