quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sobre ser Escritor.

Acho que todo mundo alguma vez já pensou em escrever uma história, ou um livro, ou um conto, ou o que quer que seja. Venho aqui compartilhar das minhas maiores dificuldades que encontrei. Algo que percebi enquanto escrevia, e quem sabe, possa ajudar algumas pessoas que tenham os mesmos desafios.

Antes de começar enumerar as dicas, vou resumir de antemão em um pensamento que poderá e deve acompanhar qualquer escritor auto-crítico e perfeccionista. A sua escrita só melhorará se você escrever. Não tem outra maneira, pois não existem fórmulas para escrever bem, embora há maneiras de organizar uma história de forma a torná-la mais atrativa e interessante. A primeira dica que dou, e eu me uso como exemplo, aprendi a escrever escrevendo e lendo, tomando livros de autores que considero boas leituras como modelo e exemplo. Isso por si só já vale ouro.
Assim, tento encontrar minhas palavras inspiradas em autores que ao meu ver são exemplos de ótimas leituras: Salinger, George R. Martin, Murakami, George Orwell, Bernard Cornwell, Philip Roth, Mia Couto, Philip K. Dick e tantos outros. Esses são meus maiores inspiradores. Lógico que cada um terá os seus heróis que lhe inspirarão a achar as suas próprias palavras, e isso é pessoal de cada um. Já informo que com o tempo a lista vai crescendo muito mais.

vamos lá!!

O que é ser escritor?

Posso dizer que ser escritor é ser desde o diretor ao sonoplasta de um filme. Imaginação associada ao ato de escrever. Ser escritor é entrar nos personagens, detalhar cenários, luz, som ambiente, dirigir os atores, ser o narrador, câmera man, tudo isso ao mesmo tempo e tantas outras coisas que vão fazer o seu livro ganhar vida na mente de quem lê. Eu digo que é possível ensinar a escrita criativa, pois todas as artes podem ser ensinadas. Escrever é ser um visionário tanto da história que se quer contar quanto das cenas, e todos os detalhes que fazem o todo funcionar. Ser escritor é viver frase por frase e palavra por palavra. Tirar da sua mente e disponibilizar ao mundo o que nela se criou. 

Estava lendo um livro do gaúcho Charles Kiefer, por sinal um talento formidável e uma visão inusitada sobre literatura, onde ele dizia:
"Um escritor somente é escritor quando menos é escritor, no instante mesmo em que tenta ser escritor e escreve. Na absoluta solidão de seu ofício, enquanto a mente elabora as frases e a mão corre para acompanhar o raciocínio, é escritor (...) Depois, já é o primeiro leitor, o primeiro crítico de si mesmo e não mais escritor."
Kiefer então continua seu argumento onde a partir daí surge o autor. O autor é aquele ser que se preocupa com a opinião do público, da mídia e gasta energia pensando sobre o impacto de sua obra na sociedade. Assim, o autor se torna um açougueiro que corta, e censura a própria obra. É da escolha do escritor ser um autor que cria sua literatura voltada mais para o lado pessoal ou mais para o lado social, de qualquer forma, e nesse ponto, já deixou de ser escritor, tornando-se autor. Então, Kiefer continua com uma percepção ímpar sobre ser autor.
"O autor ao contrário do escritor, corre rapidamente em direção a outra mutação - transforma-se no profissional de literatura, no cronista, ou no romancista. E este, esquecido de sua origem e de sua completa inutilidade, alienado e vencido, organiza sessões de autógrafos, faz palestras e contrata assessores de imprensa. Aos poucos, enfim, o autor, auxiliado por esses profissionais competentes, vai matando o escritor, fazendo-o esquecer-se de que escrever e sonhar são uma coisa só e que se esgotam no próprio devir. Às vezes, num gesto desesperado para livrar-se da morte anunciada, o escritor apanha uma espingarda de caça e explode a cabeça dos três."
O diagrama fica assim:
ESCRITOR  >  AUTOR  >  PROFISSIONAL LITERÁRIO.

Acho essa visão muito bem colocada e isso não é uma exclusividade da literatura. Podemos perceber isso em todas as artes, inclusive no cinema e na música. E ter essa visão do "todo" é interessante para qualquer pessoa entender como de fato funciona. Mesmo assim, para quem ama escrever... sempre tenha em mente que a sua obra tem vida própria, e você não deve limitá-la para agradar terceiros antes de si mesmo ou da personalidade da própria obra.

Sobre o fato de escrever, ainda podemos puxar um outro assunto. Existem pessoas que dominam a escrita, conhecem todos os elementos de narrativa, são eficientes nas escolhas das palavras, mas mesmo assim o todo não funciona. Essas pessoas, por mais teimosas em não admitir, já estarão condenadas e estagnadas de seu desenvolvimento quanto artista. Sempre arrumarão um argumento para justificar o feito pensado com o capricho arrogante. A verdade é que uma obra nunca é perfeita, mas apesar da imperfeição, ela pode funcionar muito bem. Existe algo que ninguém consegue explicar. Um sétimo sentido para a desenvoltura de uma história. Uns chamam de feeling, outros chamam de dom, eu chamo de trabalho. Qualquer escritor sempre estará em evolução. Pelo menos os melhores escritores assim pensarão de si próprios. Kiefer fala que o escritor deve dedicar à sua produção à fênix. Pois as obras morrem e renascem o tempo todo. Esse é o trabalho do Autor.
Podemos perceber que o autor se torna um estágio mais avançado do escritor. Talvez o mais próximo do ideal seja justamente o equilíbrio entre um e outro.

Posso dar dicas para escrever.
> Escrever é se abrir. Essa é a melhor frase que já escutei sobre escrever alguma coisa. Não me lembro de onde absorvi isso, mas ficou gravada na minha memória como um carimbo.

> Faça um glossário de palavras que você simpatiza, mas que geralmente fogem da sua mente. Anote-as em um caderno, e tenha sempre em mãos.

> Mostre o que escreve para pessoas de confiança, que costumam ler. Não peça conselhos sobre a história em si, apenas escute o que tem a dizer. Pergunte se a leitura foi agradável e se as cenas estão fáceis de imaginar. Sinceridade é importante, e se caso a crítica for muito ruim, não desanime, procure melhorar sempre na prática. escrever é a única forma de melhorar.

> Tente escrever cenas de filmes, passá-las para o papel. Esse é um ótimo exercício.
> Reserve seu tempo para outras atividades. Escrever tem muito a ver com mente aberta. Na verdade, reserve muito tempo para outras atividades. Sociabilidade é fundamental para o escritor. Depois de um tempo, você começará a pensar tudo que o cerca em palavras para passar ao papel. Pronto, você já está no caminho certo.

> Escrever é revelar uma coisa de cada vez. E nunca se esqueça que o maior segredo de um bom escritor é ter boa imaginação.

> É normal um livro oscilar. Até clássicos da literatura oscilam, e raramente um livro é excelente em todas as páginas, por isso, não seja tão exigente consigo mesmo.

> E a melhor dica que dou é: Aprenda com seus escritores favoritos. Analise como eles descrevem uma cena, como preparam para a cena, como flui o texto, a suavidade da narrativa e a criatividade para descrever os acontecimentos de forma não tão óbvia. Saber ler, e perceber isso vale mais do que muitas dicas que eu poderia dar.

Acho que isso é tudo… talvez você encontre muitas outras dicas em outros sites, e não deixe de pesquisar, mas acima de tudo, nunca deixe de escrever. E seguindo a lei da probabilidade, nunca pare de escrever. termine um conto, um livro ou o quer que seja e comece outro, nunca pare. Quanto mais trabalhos você terminar, maior a chance de algum se destacar e chamar a atenção… então… o seu melhor trabalho chamará a atenção para os anteriores e encontrará o público certo para eles.