terça-feira, 7 de maio de 2013

Dicas: Personagens.

Personagens. O que são os personagens senão espelhos profundos onde o leitor pode se enxergar ou repudiar a imagem que vê! Pode inclusive se conhecer mais sob os olhos de personagens fictícios. Talvez por isso, o personagem acaba importando mais para o leitor do que para o escritor,  e uma vez que você crie personagens convincentes todo o resto correrá bem.
Scott Fitzgerald disse que: "Personagens são tramas e tramas são personagens." E já escutei alguém falar que sem trama não há personagem. Mas, o que faz a trama a não ser decisões e momentos de clímax que contemplam o personagem. Se pegarmos o livro O Apanhador no Campo de Centeio, veremos que não há trama, apenas personagens.
Podemos a partir daí perceber que personagens são ferramentas poderosas que se bem usada se tornará o coração da história e arrebatará ótimas críticas dos leitores.Mas como construir personagens convincentes? Depois de algumas pesquisas podemos organizar da seguinte forma.

Todo personagem é uma fonte de possibilidades ilimitadas. Usando a psicologia a ideia de personagem nada mais é que: 
Autoconceito: Que é a imagem que se tem de si mesmo é diferente daquilo que ele realmente é. No caso, ele pensa ser algo que não é, gerando um conflito de identidade.
Fatores externos: Os fatores externos podem moldar ou despertar certas peculiaridades comportamentais e assim estabelecer a sua personalidade.

Os caminhos que o personagem pode trilhar são:
Construção do Caráter: O personagem visa melhorar, ser o melhor que pode ser como um herói.
Desconstrução de Caráter: O personagem sofre a corrupção da identidade, tornando-se irreconhecível de seu auto-conceito. Podemos perceber ainda histórias onde o personagem é jogado de um lado para o outro até o seu final, que pode ser decadente ou triunfal. Como no filme Diário de um Adolescente.

Bom, só isso não é suficiente para a construção de um personagem. A construção de um personagem deve ser feita com certos cuidados. Não podemos criá-los como simples personagens, pois corremos o risco de criarmos caricaturais. Ernest Hemingway disse que: "Ao escrever uma história, o escritor deve criar pessoas reais; pessoas, não personagens." Um personagem é uma caricatura; personalidade e físicos exagerados e pouco convincentes.

Existem várias maneiras táticas para criar personagens.
  1. Você pode imaginá-los e criá-los a partir de sua mente, usando a psicologia.
  2. Você pode se basear em características de horóscopos e misturar peculiaridades, construindo uma personalidade própria.
  3. Você pode se basear em pessoas que conhece, ouviu falar, ou leu sobre; mesclando características e comportamentos.
  4. Você pode se basear em personagens de filmes, séries e livros pegando emprestado algumas características.
  5. Você pode inclusive usar sua próprias características e distribuir para todos os seus personagens, emprestando um pouco de si para todos eles.
Dostoyevski dividiu sua personalidade em vários de seus personagens. Cada um é um pouco dele mesmo.
Mel Brooks já disse que: "Cada ser humano tem centenas de pessoas distintas vivendo sob a mesma pele. O talento do escritor é dar nome, identidade, personalidade e fazerem se relacionarem entre eles."
Se pensar bem, nós não somos os mesmos conforme os anos vão passando, ou conforme certos momentos de nossas vidas e situações que enfrentamos. Talvez Mel Brooks tenha razão também.

Pelas minhas pesquisas, a unanimidade para se criar personagens é o método Biográfico. Para quem já jogou ou ainda joga RPG, conhece muito bem. Basta dizer que é simplesmente o momento de preencher a ficha para se representar um personagem no jogo. A diferença crucial entre a ficha de RPG e o método biográfico é que o método biográfico dispensa números, pois o que conta é o arquivo descritivo do personagem, como um arquivo policial ou uma ficha criminal se quiserem comparar. Esse método pode ser criado pelo próprio autor, e a regra de preenchimento e os itens a serem preenchidos cabe à cada um decidir. Você pode usar a lista inteira que eu proponho, uma parte dela, ou criar a sua própria. Vamos aos itens que poderão ser preenchidos.
  1. Nome Completo:
  2. Sexo:
  3. Idade e data de nascimento:
  4. Residência:
  5. Ocupação:
  6. Profissão:
  7. Aparência:
  8. Hábitos:
  9. Hobbies:
  10. Vícios:
  11. Temperamento:
  12. Comportamento: (e motivo do comportamento)
  13. Sua índole:
  14. Aspiração:
  15. Medos:
  16. Desejos:
  17. Traumas:
  18. Defeitos:
  19. Qualidades:
  20. Ambição:
  21. Tique Nervoso:
  22. Gostos pessoais: (Café, música, esporte, cerveja...)
  23. Como se veste:
  24. Background, passado:
  25. Descreva o presente dele:
  26. Família e entes queridos:
  27. Doença:
Não esqueça de esclarecer certos aspectos da ficha do personagem, como:
De onde vem essa característica dele? Quais as motivações dele na história? Por que esse temperamento? Como ele conquistará o que ele almeja? Como se dará o conflito entre seu comportamento e sua índole? Quais os desafios que enfrentará? Quais serão seus conflitos internos? Há fatores externos lhe influenciando?
E assim por diante. Isso dará mais profundidade a ele.

Se responder de forma espontânea, poderá se surpreender com o personagem que aparecerá. Foque nas contradições do personagem criado para dar profundidade de conflito e trama no decorrer da sua história. Nunca esqueça de inserir o personagem ao meio de onde sua história se passa e o gênero. Isso vai ditar quais aspectos dos personagens devem ser levado mais em consideração e dentro do cenário. Enquadre ele no cenário o qual ele interage e em sua realidade. 
Nem todos os escritores dão autonomia para o personagem ditar o que o escritor deve escrever. Creio que o sábio escritor permite que isso aconteça de forma a incrementar e adaptar à sua história, enriquecendo-a no final das contas. E o mais importante: Tudo o que escrevi não são exatamente regras a serem levadas à risca. Cada escritor deve encontrar a sua própria maneira de criar personagens da forma que mais lhe agradar, mas se isso lhe ajudar, ficarei satisfeito também.